Bolsa cai e dólar sobe com empate técnico entre Flávio e Lula nas pesquisas
13/10/2026 18:164 min de leituraAtualizado há 5 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acompanha o noticiário econômico para tomar decisões no seu negócio, vale prestar atenção ao que aconteceu nesta terça-feira: o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 1,04%, fechando aos 206.887,52 pontos, enquanto o dólar subiu 0,74%, encerrando o dia cotado a R$ 5,0227. O movimento foi puxado por pesquisas eleitorais que mostraram um empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula na disputa pelo segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Na semana anterior, a bolsa havia batido recordes históricos, chegando a superar os 209 mil pontos, embalada pelo resultado do primeiro turno. Agora, parte desse otimismo deu lugar a uma realização de lucros, ou seja, investidores venderam ações para garantir ganhos, à espera de mais clareza sobre o rumo da eleição.
O que muda com o empate nas pesquisas
Duas pesquisas divulgadas nesta terça-feira mostraram cenários parecidos: o levantamento BTG/Nexus apontou Flávio com 48% das intenções de voto contra 45% de Lula, enquanto a pesquisa PoderData/Aya mostrou Flávio com 51% e Lula com 49%. Em ambos os casos, a diferença está dentro da margem de erro, o que configura um empate técnico. Isso significa que, matematicamente, ninguém pode afirmar com segurança quem está na frente.
Essa incerteza importa para o seu negócio porque parte do mercado financeiro aposta que um eventual governo Flávio Bolsonaro traria mais rigor no controle das contas públicas, mesmo sem um plano econômico detalhado até agora. Quando o mercado acredita que as contas públicas vão melhorar, isso costuria abrir espaço para juros mais baixos no futuro, o que na semana passada já havia ajudado a reduzir o dólar e os prêmios de risco nos contratos de juros futuros. Com o empate técnico, essa expectativa perde força, e é por isso que o dólar voltou a subir e a bolsa recuou.
Vale notar que esse movimento do dólar foi particularmente brasileiro: lá fora, a moeda americana perdeu força contra outras divisas importantes, como o euro, o iene e a libra. Ou seja, o que fez o dólar subir por aqui não foi um fortalecimento geral da moeda americana, mas sim a reação direta do mercado às pesquisas eleitorais, o chamado "trade eleitoral", quando investidores compram ou vendem ativos com base nas expectativas sobre quem vai vencer a eleição.
Quem sente o impacto no dia a dia
Para empresários, esse cenário tem efeitos concretos. Se você importa insumos, produtos ou equipamentos, a alta do dólar encarece suas compras no exterior. Se sua empresa tem dívidas atreladas à variação cambial ou contratos em dólar, o custo também pode subir. Por outro lado, se você exporta, uma moeda americana mais valorizada pode ser positiva para sua margem.
Entre as empresas que mais sentiram o nervosismo do mercado nesta terça-feira estão os bancos, com quedas expressivas em suas ações, e o varejo, com destaque negativo para duas grandes redes de lojas, que caíram diante da alta dos juros futuros. Isso é um sinal de que o mercado já está precificando um cenário de maior cautela, o que pode se refletir em condições de crédito mais restritivas para empresas nos próximos dias, até que o quadro eleitoral fique mais claro.
Como se preparar até o segundo turno
Com a eleição decidida apenas em 25 de outubro, especialistas do mercado financeiro já avisam que a volatilidade, ou seja, as oscilações bruscas de preços, deve continuar nas próximas semanas. Isso não significa necessariamente uma reversão da tendência de alta vista recentemente na bolsa, mas sim que o humor do mercado vai variar conforme novas pesquisas forem divulgadas.
Na prática, isso recomenda cautela redobrada para quem lida com operações em moeda estrangeira, compras programadas de insumos importados ou renegociação de dívidas e contratos financeiros nas próximas semanas. Se possível, converse com seu contador ou consultor financeiro antes de fechar contratos grandes atrelados ao dólar, e acompanhe de perto o noticiário eleitoral, já que novas pesquisas devem continuar influenciando diretamente o comportamento da bolsa e do câmbio até o resultado do segundo turno.
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