Bilionários dos EUA doam cada vez menos, mostra ranking da Forbes
20/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 2 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um levantamento da Forbes mostra que os bilionários mais ricos dos Estados Unidos estão doando, proporcionalmente, cada vez menos dinheiro para causas beneficentes, mesmo com suas fortunas em alta. A pesquisa analisou as 400 pessoas mais ricas do país e comparou o crescimento de seus patrimônios com o volume de doações feitas ao longo da vida. O resultado mostra uma distância crescente entre o quanto essas fortunas aumentam e o quanto retorna, de fato, para a sociedade.
Embora o tema pareça distante da realidade do empresário brasileiro, ele serve como um retrato interessante de como a riqueza se comporta quando cresce rápido: a tendência é que a generosidade, em termos proporcionais, não acompanhe o mesmo ritmo. É um alerta útil também para quem pensa em estruturar políticas de doação, responsabilidade social ou planejamento sucessório dentro do próprio negócio.
O que os números mostram
Segundo o levantamento, o patrimônio conjunto dos 400 mais ricos dos EUA cresceu 21% no último ano, um salto de US$ 1,4 trilhão. Já as doações somadas por esse grupo, ao longo de toda a vida, chegaram a US$ 366 bilhões, um aumento de US$ 47 bilhões em relação ao ano anterior. O detalhe importante está na proporção: mesmo com mais dinheiro doado em valores absolutos, a fatia da riqueza destinada à caridade caiu para 4,4%, contra 4,6% no ano anterior e 5% dois anos atrás.
Para chegar a esses números, a Forbes usa uma metodologia que só considera o dinheiro que realmente chegou a quem precisa, não valores parados em fundações ou promessas de doação ainda não cumpridas. Isso é relevante porque muitos bilionários mantêm somas enormes em fundações próprias, mas a legislação americana exige a distribuição de apenas uma parcela pequena desses recursos por ano.
Quem está nos extremos
A Forbes classifica cada integrante da lista com uma pontuação de 1 a 5, de acordo com o percentual da riqueza já doado. Quem recebe nota 1 destinou menos de 1% do patrimônio a causas beneficentes; quem recebe nota 5 já doou 20% ou mais. Apenas 13 pessoas, ou 3% da lista, alcançaram a nota máxima, entre elas George Soros e Warren Buffett.
Soros aparece como o mais generoso proporcionalmente, tendo doado 74% de seu patrimônio ao longo da vida, o equivalente a US$ 24,2 bilhões, mantendo o título pelo sétimo ano consecutivo. Já Buffett é o maior doador em valores absolutos: destinou US$ 72,6 bilhões, ou 33,5% de sua fortuna, a fundações da própria família e, até recentemente, à Gates Foundation. No outro extremo, mais de 40% dos integrantes da lista doaram menos de 1% do que possuem, e a Forbes estima que até 45 pessoas praticamente não fizeram doações relevantes.
O que isso significa na prática
Para quem administra um negócio no Brasil, o dado serve como referência para pensar a própria trajetória de crescimento e o papel da responsabilidade social dentro da empresa. Fortunas e empresas que crescem rápido tendem a priorizar reinvestimento e expansão, e a generosidade proporcional pode ficar em segundo plano, mesmo quando o volume absoluto de contribuições sociais aumenta. É um lembrete de que acompanhar o crescimento do patrimônio com ações sociais consistentes exige planejamento deliberado, e não apenas boas intenções pontuais.
Se você está estruturando políticas de doação, patrocínio ou responsabilidade social para sua empresa, vale revisar periodicamente se os valores destinados a essas causas estão crescendo na mesma proporção que o faturamento ou o patrimônio do negócio. Definir metas claras, com percentuais fixos sobre lucro ou receita, é uma forma de evitar que a generosidade fique estagnada enquanto os resultados da empresa avançam.
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