Bilionário do Petróleo Aposta em Água para Atrair Data Centers de IA

Um empresário do setor de petróleo encontrou uma forma inesperada de lucrar com um subproduto que, até pouco tempo atrás, era só um custo: a água extraída junto com o petróleo na Bacia do Permiano, no oeste do Texas. David Capobianco, cofundador da gestora de private equity Five Point, percebeu que essa água, imprópria para consumo e cheia de sal e produtos químicos, poderia se tornar a peça central de uma estratégia para atrair data centers de inteligência artificial para a região.
A lógica é simples: data centers de IA consomem quantidades enormes de água para refrigeração, além de energia e terra. O oeste do Texas já tinha gás natural barato e terrenos disponíveis. Faltava resolver o problema da água, e foi exatamente isso que Capobianco transformou em oportunidade, construindo uma rede de dutos e instalações de processamento que hoje trata milhões de barris de água por dia.
Como a estratégia foi construída
A virada de Capobianco não aconteceu da noite para o dia. Ele começou a estruturar negócios ligados a petróleo e infraestrutura ainda em 2003, mas foi a partir de 2012, com a fundação da Five Point, que passou a consolidar ativos de água por toda a Bacia do Permiano. Em vez de construir tudo do zero, ele fez parcerias com petrolíferas que já tinham infraestrutura própria, criando joint ventures para processar tanto água quanto gás natural produzidos por essas empresas.
Uma dessas parcerias, com a produtora Matador Resources, resultou em uma operação que gerou centenas de milhões de dólares em resultado operacional no último ano. Outra, com a Diamondback Energy, também deve gerar retorno relevante neste ano. Além disso, Capobianco comprou terras estratégicas na fronteira entre Texas e Novo México, aproveitando diferenças na regulação de descarte de água entre os dois estados para viabilizar o negócio.
Os números por trás do negócio
O volume de capital envolvido dá a medida do tamanho da aposta. As empresas do grupo já investiram bilhões de dólares e têm planos de aportar ainda mais nos próximos anos. Duas dessas empresas, inclusive, já abriram capital em bolsa, e uma terceira operação foi vendida com lucro expressivo.
| Operação | Valor aproximado | Resultado |
|---|---|---|
| Investimento total já realizado | US$ 2,5 bilhões | Infraestrutura de água e terra no Permiano |
| Plano de investimento futuro (5 anos) | US$ 5 bilhões | Expansão da estrutura para data centers |
| IPO da LandBridge (2024) | US$ 250 milhões captados | Valor de mercado atual: US$ 6 bilhões |
| IPO da WaterBridge (2025) | US$ 650 milhões captados | Valor de mercado atual: US$ 4,3 bilhões |
| Venda da Northwind (2025) | US$ 2,4 bilhões | Lucro de US$ 1,2 bilhão, triplo do investido |
Esses números mostram um padrão que vale a pena observar mesmo fora do setor de energia: identificar um resíduo ou custo operacional negligenciado, criar infraestrutura para tratá-lo e, quando o mercado muda (como aconteceu com a explosão de data centers de IA), colher o valor represado nesse ativo antes ignorado.
O que isso ensina para quem gerencia um negócio
Você não precisa administrar poços de petróleo para tirar uma lição prática dessa história. O caso mostra como reorganizar um passivo (algo que só gera custo) em um ativo estratégico pode abrir portas para novos mercados. Isso vale para resíduos industriais, capacidade ociosa, dados acumulados ou qualquer recurso que sua empresa já tem, mas não está monetizando.
Outro ponto relevante é a forma como o negócio foi estruturado: em vez de competir sozinho, Capobianco fez parcerias com quem já tinha infraestrutura, dividindo investimento e risco através de joint ventures. Para empresas de porte médio, essa é uma estratégia acessível, buscar parceiros que complementam o que você já tem, em vez de tentar fazer tudo internamente.
Por fim, o movimento de capitalização via abertura de capital e venda de participações mostra a importância de estruturar o negócio desde o início pensando em transparência financeira e governança, mesmo que a intenção não seja abrir capital no curto prazo. Ter as contas organizadas e o crescimento documentado é o que permite, no momento certo, atrair investidores ou negociar uma venda vantajosa.
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