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Banco Mundial atrai recorde de capital privado: o que isso significa

17/09/2026 10:163 min de leituraAtualizado há 4 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Banco Mundial anunciou que conseguiu atrair US$ 112 bilhões em capital privado no ano fiscal encerrado em junho. O valor representa um salto de 62% em relação aos US$ 69 bilhões captados no ano anterior e é mais do que o triplo do registrado em 2022, antes de Ajay Banga, ex-presidente-executivo da Mastercard, assumir a presidência da instituição. Embora pareça um assunto distante da rotina do seu negócio, esse movimento pode influenciar o volume de crédito e investimento disponível para projetos de infraestrutura, energia e desenvolvimento em países como o Brasil.

O que está por trás desse resultado

Somando o capital privado captado aos US$ 123 bilhões vindos de recursos próprios do banco, o total mobilizado no período chegou a US$ 235 bilhões. A instituição afirma estar trabalhando para padronizar e organizar seus empréstimos de forma a atrair grandes investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e gestoras de recursos, incluindo a BlackRock. O objetivo declarado é mais do que dobrar esse capital privado, ultrapassando US$ 200 bilhões em até três anos.

Segundo Banga, esse tipo de investidor é quem movimenta os grandes volumes de dinheiro necessários, já que fundos individuais e projetos isolados não dão conta da escala exigida. Ele destacou que a ideia de criar uma "classe de ativos" capaz de atrair esses recursos maiores veio de conversas com Larry Fink, fundador da BlackRock, ainda há alguns anos.

Por que isso importa para o financiamento de projetos

O motivo por trás dessa estratégia é claro: os recursos públicos não são suficientes para cobrir as necessidades de financiamento de países em desenvolvimento em áreas como transição energética, educação, saúde e agricultura, especialmente num momento em que a ajuda internacional está diminuindo. Segundo Banga, não existem "trilhões" disponíveis nem em governos, nem em bancos multilaterais, nem na filantropia. A saída, segundo ele, é atrair capital privado, que existe em abundância e está em busca de boas oportunidades de retorno.

Os números mostram o tamanho do desafio: o mercado de capital institucional administrado no mundo ultrapassa US$ 280 trilhões, mas historicamente apenas 5% a 8% desse total é direcionado a economias em desenvolvimento, segundo dados da Glasgow Financial Alliance for Net Zero, do Boston Consulting Group e da British International Investment. Empresas privadas costumam evitar grandes investimentos nesses países por causa de incerteza regulatória, risco político e instabilidade cambial.

O que mudou na captação do Banco Mundial
US$ 112 bicapital privado mobilizadoalta de 62% em relação ao ano anterior.
US$ 235 bitotal mobilizadosoma do capital privado com recursos próprios do banco.
9 mesestempo médio de aprovaçãoreduzido de um ano ou mais, agilizando projetos.

Para reverter esse quadro, Banga criou um Laboratório de Investimento do Setor Privado logo após assumir a presidência do banco, em junho de 2023, reunindo especialistas, incluindo Fink, para discutir formas de reduzir esses riscos e destravar investimentos. Entre as medidas adotadas estão a simplificação da estrutura interna do banco, com um único gerente por país fazendo a ponte entre as diferentes unidades, e a redução do tempo médio de aprovação de projetos, que caiu de um ano ou mais para nove meses, podendo ser ainda menor em projetos mais simples.

O que isso pode significar na prática

Banga destacou que os países que buscam empréstimos também têm se mostrado mais interessados em atrair investimento privado do que em depender de ajuda externa, mas para isso precisam avançar em pontos como infraestrutura, arrecadação e reformas regulatórias. No último ano fiscal, cerca de 40% dos empréstimos do Banco Mundial foram destinados a projetos de infraestrutura, e 26% a iniciativas de reforma regulatória, o que reforça a leitura de que a instituição está priorizando condições estruturais para viabilizar novos negócios.

Vale observar que esse crescimento de capital privado não foi uniforme: os fluxos aumentaram de forma significativa para países de renda média-baixa, média-alta e para o continente africano, mas permaneceram estáveis nos países de baixa renda. Para empresários e gestores que atuam em setores ligados a infraestrutura, energia, agronegócio ou projetos de desenvolvimento, esse movimento pode representar, nos próximos anos, mais linhas de financiamento e parcerias disponíveis, especialmente em economias emergentes que conseguirem avançar nas reformas mencionadas por Banga.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.