Bahia é a 7ª maior economia do país, mas o que ainda trava seu crescimento?
02/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você tem negócio na Bahia ou pretende investir no estado, vale entender o retrato completo da economia baiana: ela cresce, mas carrega entraves que afetam diretamente custos, mão de obra e competitividade. Em 2025, o PIB da Bahia avançou 2,7% e o estado movimentou R$ 536,7 bilhões, segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). É um resultado positivo, mas que esconde desigualdades entre setores e desafios estruturais que podem pesar no seu planejamento, seja você um pequeno comerciante, um produtor rural ou um gestor de indústria.
Onde está o crescimento e onde estão os gargalos
Dos R$ 536,7 bilhões gerados na Bahia, R$ 307,1 bilhões vieram de serviços, R$ 115,8 bilhões da indústria e R$ 53 bilhões da agropecuária. A agropecuária foi o setor que mais cresceu, com alta de 10,3%, seguida pela indústria, com 2,9%, e pelos serviços, com 1,7%. Apesar disso, a produção física industrial cresceu apenas 0,3% no ano, segundo o IBGE. Das 11 atividades pesquisadas, só quatro tiveram crescimento, como derivados de petróleo e máquinas e aparelhos elétricos, enquanto produtos químicos e calçados registraram quedas expressivas. Para o economista Antônio Carvalho, falta ao estado uma política mais forte de atração de indústrias e setores capazes de puxar cadeias produtivas maiores, o que limita a geração de empregos mais qualificados.
Um exemplo é o complexo da BYD em Camaçari, que já ultrapassou 2 mil trabalhadores poucos meses após a inauguração. Mas, segundo Carvalho, grandes investimentos como esse nem sempre viram oportunidade real de qualificação para a população local, já que cargos mais especializados costumam ser ocupados por profissionais vindos de fora, deixando os trabalhadores baianos concentrados em funções de menor remuneração. Isso tem relação direta com outro dado preocupante: em 2024, 10,8% dos baianos com 15 anos ou mais eram analfabetos, mais que o dobro da média nacional da época.
Informalidade e renda baixa pesam no bolso e no crédito
Se você empreende na Bahia, provavelmente já sentiu o efeito da informalidade no mercado. Em 2025, 52,8% da população ocupada no estado estava na informalidade, a terceira maior taxa do país, atrás só de Maranhão e Pará. A média nacional foi de 38,1%. Isso é relevante porque, segundo o economista Cássio Besarria, trabalhadores e pequenos negócios informais enfrentam mais dificuldade para acessar crédito e investir em tecnologia, o que trava o crescimento das empresas e reduz sua capacidade de competir em outros estados ou no exterior. Além disso, menos formalização significa menos arrecadação, o que limita o investimento público em infraestrutura, educação e qualificação profissional, áreas essenciais para melhorar a produtividade do estado.
A renda também é um ponto de atenção. O rendimento domiciliar per capita na Bahia foi de R$ 1.465 em 2025, bem abaixo da média brasileira de R$ 2.316. Já o rendimento real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 2.284, o segundo menor do país, à frente apenas do Maranhão. Para Carvalho, essa combinação de baixo poder de compra com inflação torna o cenário ainda mais desafiador para o consumo interno, o que impacta diretamente quem vende produtos e serviços no estado.
Logística ainda é obstáculo para empresas e exportadores
Outro entrave apontado pelos especialistas é a infraestrutura de transporte. A Bahia depende fortemente das rodovias para movimentar cargas, e a BR-324, principal ligação entre Salvador e Feira de Santana, é um símbolo desse gargalo. Quando o DNIT assumiu o trecho, em maio de 2025, grande parte da via estava em condição regular, ruim ou péssima. Houve melhoria: em junho de 2026, o trecho já estava majoritariamente em boas condições. Ainda assim, problemas pontuais continuam aparecendo, como a interdição parcial em Simões Filho após identificação de trincas e afundamento na pista. No total, a Bahia tem cerca de 7,4 mil quilômetros de rodovias federais, a maior malha do país sob o DNIT, e 74% dessa extensão estava em boas condições ao fim de 2025, com R$ 865,6 milhões aplicados em melhorias no ano.
Os gargalos não terminam nas estradas. Carvalho também cita dificuldades de acesso ao Porto de Salvador, com filas de caminhões à espera de carga e descarga. Quando isso se soma à limitada integração ferroviária, o sistema logístico fica mais caro, o que pode reduzir a competitividade de quem produz ou exporta pelo estado. A Bahia conta com três portos públicos, administrados pela Codeba: Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus. O Porto de Salvador se destaca na movimentação de contêineres e carga geral, inclusive com rota semanal para a China, e teve alta de 14,15% na movimentação entre janeiro e agosto de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025.
Para quem trabalha com agronegócio, a distância também pesa no custo. Luís Eduardo Magalhães, um dos principais polos agrícolas da região, fica a mais de 900 quilômetros de Salvador, e o transporte de grãos por longas distâncias apenas pela rodovia tende a el
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