ASML domina máquinas de chips com nova tecnologia High NA
14/09/2026 12:024 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A empresa holandesa ASML, responsável pelas máquinas mais avançadas usadas para fabricar chips de computador, está ampliando sua vantagem sobre o restante do mercado. A companhia inaugurou uma nova fábrica em Eindhoven e viu grandes clientes, como TSMC, Samsung e SK Hynix, se comprometerem formalmente a usar sua tecnologia mais recente, chamada High NA. O movimento reforça que a demanda ligada à inteligência artificial continua forte e que a ASML deve manter o controle quase absoluto desse mercado por muitos anos.
Embora o assunto pareça distante da rotina de pequenas e médias empresas brasileiras, ele tem relevância prática: essas máquinas são a base para a produção de praticamente todos os chips usados em computadores, celulares, servidores e sistemas de inteligência artificial. Quando há escassez ou concentração de poder em um elo tão importante dessa cadeia, o efeito se espalha por preços de eletrônicos, disponibilidade de equipamentos e até pela velocidade de inovação em setores que dependem de tecnologia, incluindo o seu.
O que muda
Atualmente, a ASML já domina o mercado de máquinas de litografia, tecnologia usada para "desenhar" os circuitos dentro dos chips. Segundo estimativa citada na reportagem, a empresa detinha 94% desse mercado global em 2025, e sua posição é ainda mais forte nas tecnologias de ponta, usadas para fabricar os chips mais avançados. Isso porque, desde o fim dos anos 2010, ela é a única fabricante comercial das máquinas que usam luz ultravioleta extrema, indispensáveis para produzir os circuitos mais sofisticados usados em inteligência artificial.
A novidade é o avanço da próxima geração dessa tecnologia, batizada de High NA. Essas máquinas conseguem imprimir estruturas cerca de 40% menores do que as atuais, o que pode reduzir etapas de fabricação e aumentar a produtividade das fábricas de chips. Em troca, custam o dobro: cerca de US$ 400 milhões por unidade, contra US$ 200 milhões das máquinas atuais. Até pouco tempo, havia dúvida no mercado se esse investimento valeria a pena. Agora, grandes empresas do setor confirmaram planos concretos de adoção, o que indica que a redução do tamanho dos circuitos continuará sendo o caminho principal para chips mais potentes.
Quem é afetado
Os efeitos dessa concentração de tecnologia chegam a praticamente toda a cadeia de semicondutores. A TSMC, que fabrica chips para empresas como Apple e Nvidia, já havia questionado o preço do High NA, mas se comprometeu a usar a tecnologia a partir de 2030. Samsung e SK Hynix, fortes no mercado de chips de memória, anunciaram que vão iniciar a produção com essas máquinas em 2028, data considerada mais adiantada do que o mercado esperava. A Micron já encomendou equipamentos, ainda sem data definida de uso. A Intel, pioneira na adoção, informou que já processou mais de 1 milhão de wafers (as placas usadas para fabricar chips) com o novo sistema.
Ainda que Nikon, Canon e novos fabricantes chineses produzam equipamentos de litografia, eles trabalham com uma tecnologia mais antiga, chamada DUV. Segundo analista citado na reportagem, a ideia de que esses concorrentes estejam perto de alcançar a ASML na tecnologia mais avançada é vista como desinformação. Isso significa que, para o setor de semicondutores como um todo, não há alternativa real à ASML no curto e médio prazo, o que reforça o poder de precificação e de prazos de entrega da empresa holandesa.
Para empresários e gestores brasileiros, o recado prático está na cadeia de fornecimento global de tecnologia. Setores que dependem de servidores, data centers, equipamentos de automação, eletrônicos e soluções de inteligência artificial podem sentir reflexos dessa concentração, seja em prazos mais longos para novos equipamentos, seja em custos que tendem a ser repassados ao longo da cadeia. Empresas que planejam investimentos em tecnologia, expansão de infraestrutura digital ou compra de equipamentos que dependem de chips avançados fazem bem em considerar esse cenário de gargalo global ao planejar prazos e orçamentos.
O mais importante, no entanto, é entender que essa dinâmica não é passageira. As decisões de investimento no setor de semicondutores são tomadas com anos de antecedência, e os compromissos já assumidos por gigantes como TSMC, Samsung, SK Hynix e Intel sinalizam que a demanda por chips avançados, puxada pela inteligência artificial, deve continuar em alta por um bom tempo. Para negócios que dependem, direta ou indiretamente, de tecnologia de ponta, acompanhar esse movimento ajuda a antecipar custos e prazos em decisões futuras de investimento.
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