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Argentina reduz déficit, mas segue com desafio para pagar dívida em dólar

19/10/2026 11:113 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

A Argentina fechou setembro com um resultado fiscal mais forte, mas isso não significa que o país resolveu seu principal problema: conseguir dólares para pagar suas contas. É o que aponta uma análise do BTG Pactual, que mostra avanços nas contas públicas argentinas ao mesmo tempo em que reforça um alerta sobre a dificuldade do país de acessar moeda estrangeira para se financiar. Para quem acompanha ou negocia com empresas argentinas, ou observa o cenário econômico da região, entender esse descompasso ajuda a dimensionar os riscos que ainda cercam o país vizinho.

O que mostram os números

Segundo o levantamento, o superávit primário argentino de setembro foi 53% maior em termos reais na comparação com o mesmo mês do ano passado. Olhando para um período mais longo, de 12 meses até setembro, esse superávit chegou a 1,35% do PIB, um avanço em relação aos 1,16% registrados até junho. O BTG projeta que esse indicador deve se manter acima de 1,3% do PIB até o fim de 2026, um sinal de que a melhora fiscal tende a ser mais consistente do que pontual.

Quando se soma o pagamento de juros da dívida ao cálculo, ou seja, o resultado fiscal total, a estimativa do banco é de um superávit mais modesto, entre 0,1% e 0,2% do PIB. Isso mostra que, apesar da melhora operacional, o espaço de manobra do governo argentino ainda é apertado quando se considera o custo da dívida.

Por que as contas melhoraram

O resultado positivo de setembro foi puxado por dois movimentos: mais receita entrando e menos gasto saindo. As receitas totais cresceram 2,4% em termos reais na comparação com o ano anterior, com a arrecadação de impostos avançando 2,9% no período. Do lado das despesas, houve uma queda de 0,8% nos gastos primários, resultado de cortes em subsídios ao transporte, investimentos públicos e alguns programas sociais.

Esses cortes ajudaram a compensar aumentos em outras frentes, como aposentadorias, subsídios à energia e transferências para as províncias. Vale destacar que as aposentadorias sozinhas representaram 43,6% de todos os gastos públicos nos 12 meses até setembro, um peso relevante que limita o quanto o governo consegue reduzir despesas de forma geral.

Um detalhe chama atenção: embora os gastos tenham caído na comparação anual, isso não se repetiu quando se olha mês a mês. Com ajuste sazonal, as despesas de setembro subiram em relação a agosto e chegaram ao maior patamar do terceiro trimestre. Ou seja, o corte de gastos não está necessariamente acelerando, o que pode ser um ponto de atenção para quem monitora a disciplina fiscal do país.

O ajuste fiscal argentino em números
53%alta real do superávitcomparação entre setembro deste ano e do ano passado.
1,35% do PIBsuperávit em 12 mesesaté setembro, ante 1,16% até junho.
43,6%peso das aposentadoriasfatia dos gastos públicos totais em 12 meses.

O desafio que continua sem solução

Apesar de todos esses avanços, o BTG é direto: a melhora fiscal é positiva, mas não resolve a necessidade da Argentina de obter dólares para se financiar. O relatório avalia que o país não deve conseguir emitir títulos de dívida no mercado internacional no momento, dada a turbulência financeira atual. Como sinal disso, o próprio mercado local já viu o cancelamento de colocações de dívida em dólares recentemente.

Um ponto positivo citado pelos analistas é o acúmulo de reservas pelo Banco Central argentino, que ajuda a fortalecer a posição externa do país. Ainda assim, isso não substitui a necessidade de voltar a emitir dívida, algo que, segundo o BTG, continua pendente no plano de financiamento do governo argentino.

Para empresários e gestores que têm negócios, fornecedores ou clientes ligados à Argentina, o recado prático é de cautela equilibrada: as contas públicas do país estão em trajetória de melhora, o que é um sinal positivo de médio prazo, mas o risco de instabilidade cambial e de acesso a dólares segue presente. Isso significa que operações em moeda estrangeira com parceiros argentinos, ou decisões de investimento na região, ainda exigem atenção redobrada ao cenário de financiamento externo do país, que não deve se resolver no curto prazo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.