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Apostas online: quanto as famílias já perderam em 2025 e o impacto no consumo

07/08/2026 16:003 min de leituraAtualizado há 24 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), revelou que as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões com apostas esportivas, as chamadas bets, em 2025. Esse número é a diferença entre tudo o que os apostadores transferiram para as plataformas e o que receberam de volta em prêmios. Para você, empresário ou gestor, esse dado importa porque mostra para onde está indo uma parte relevante da renda das famílias, dinheiro que deixa de circular em outros setores da economia.

Ainda mais expressivo é o volume total movimentado: as empresas de apostas receberam R$ 350,97 bilhões via Pix ao longo do ano, segundo estimativas baseadas em dados do Banco Central e das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica. Esse é o tamanho do fluxo financeiro que passou a circular entre pessoas físicas e as bets, um mercado que cresceu rápido depois da regulamentação.

O que os números mostram

A pesquisa aponta que, até meados de 2024, os valores pagos pelas famílias às empresas de apostas e os valores devolvidos em prêmios eram relativamente próximos. A partir de 2025, com a obrigatoriedade de cadastramento das empresas do setor, essa relação mudou: os pagamentos cresceram de forma acelerada, enquanto os retornos aos apostadores aumentaram em ritmo mais lento. Essa diferença é o que gera a perda líquida de R$ 62,5 bilhões.

IndicadorValor em 2025
Perda líquida das famílias em apostasR$ 62,5 bilhões
Volume total movimentado via Pix pelas betsR$ 350,97 bilhões
Receita das bets legais (Ministério da Fazenda)R$ 36,9 bilhões
Diferença entre os dois levantamentosR$ 25,6 bilhões

Vale notar que o valor estimado pelo Comsefaz é maior do que a receita oficial registrada pelo Ministério da Fazenda para as bets autorizadas a operar no país, que foi de R$ 36,9 bilhões. O próprio boletim reconhece que as metodologias são diferentes e não devem ser comparadas de forma direta, mas aponta como possível explicação a presença forte de plataformas clandestinas. Um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, estima que as bets ilegais respondam por algo entre 41% e 51% do mercado total. Ou seja, uma boa parte desse dinheiro pode estar circulando fora de qualquer controle fiscal.

Por que isso afeta o seu negócio

O ponto mais prático deste levantamento para quem administra uma empresa é o efeito sobre o consumo. Cada real destinado às apostas é um real que deixa de ser gasto em alimentação, serviços, vestuário ou no pagamento de dívidas e contas em atraso. Se você atua no varejo, em serviços ou em qualquer negócio que dependa do bolso do consumidor final, esse dado ajuda a entender parte da pressão sobre as vendas e sobre a inadimplência de clientes pessoa física.

O estudo também traz um alerta relevante sobre a renda mais baixa. Depois que beneficiários do Bolsa Família foram proibidos de apostar, em outubro de 2025, o crescimento das transações desacelerou e o volume estimado se aproximou mais do observado na prática. Para os pesquisadores, isso indica que famílias de menor renda têm participação relevante nesse mercado, o que reforça a preocupação com o endividamento e com o comprometimento da renda desses domicílios.

Como se preparar

Se sua empresa lida diretamente com o consumidor, especialmente em faixas de renda mais baixas, é importante levar esse cenário em conta no planejamento comercial e no controle de crédito. Analisar o comportamento de inadimplência, ajustar políticas de parcelamento e cobrança, e observar de perto a sazonalidade do consumo podem ajudar a mitigar impactos indiretos desse movimento. Empresas que oferecem crédito ao consumidor final também devem redobrar a atenção na análise de risco, já que parte da renda das famílias está sendo direcionada para um gasto que não gera patrimônio nem retorno produtivo.

Na GL Inteligência Contábil, acompanhamos indicadores como esse justamente para ajudar você a entender o cenário econômico que influencia o comportamento do seu cliente e do seu caixa. Ficar atento a esse tipo de movimento é parte de uma gestão financeira mais preventiva, que evita surpresas na hora de fechar o mês.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.