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Apostas online e endividamento: como isso afeta a produtividade da sua empresa

20/07/2026 06:194 min de leituraAtualizado há 44 dias

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Se você sente que a produtividade da sua equipe anda instável, ou percebe mais faltas e queda de rendimento sem uma causa aparente, vale olhar para um fator que costuma passar despercebido na gestão de pessoas: a saúde financeira dos seus colaboradores. Dados recentes mostram que o endividamento dos brasileiros atingiu um novo patamar, ao mesmo tempo em que crédito consignado e apostas online se expandem rapidamente, criando um cenário que já reflete diretamente no ambiente de trabalho.

Em 2026, o Brasil chegou a 83,5 milhões de pessoas negativadas, segundo dados da Serasa. Esse número por si só já é alarmante, mas ganha outra dimensão quando você lembra que a taxa básica de juros segue em 14,25% ao ano, tornando o crédito mais caro e, ao mesmo tempo, mais buscado por quem já está no vermelho. Para empresas, isso significa lidar com um time que pode estar sob pressão financeira constante, mesmo tendo emprego formal e renda fixa.

O que muda na relação com o crédito do trabalhador

Uma das peças centrais desse cenário é o crescimento do crédito consignado privado. Levantamento da PwC Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) mostra que as fintechs de crédito concederam R$ 53,8 bilhões só em 2025, um salto de 51% em relação ao ano anterior. O consignado privado já representa 47% da carteira dessas empresas, contra 40% antes, impulsionado pelo Crédito do Trabalhador, disponível desde março de 2025 para cerca de 47 milhões de empregados CLT, contratado direto pela Carteira de Trabalho Digital com autenticação via Gov.br.

Vale lembrar que a lei ainda limita o desconto do consignado a 35% do salário líquido, conforme a Lei nº 10.820/2003. Mas esse teto não conta toda a história. Descontos com coparticipação em plano de saúde, faltas, atrasos, pensão alimentícia e outros benefícios corporativos somam-se a essa conta, e muitos trabalhadores ainda carregam empréstimos pessoais com bancos e fintechs que não entram no cálculo da margem consignável. Na prática, o salário líquido que sobra no fim do mês pode ser bem menor do que o holerite sugere, o que empurra o trabalhador para novas dívidas.

Apostas online entram na equação

Outro fator que passou a preocupar gestores é o crescimento das apostas esportivas online. O Banco Central já havia identificado, em 2024, um aumento da participação das apostas no orçamento de famílias de menor renda. Em 2025, o setor movimentou entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês, e a arrecadação tributária da atividade saltou de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Com a Copa do Mundo de 2026 no radar e o investimento publicitário das plataformas em alta, a expectativa é de que esse volume cresça ainda mais, o que pode intensificar os efeitos sobre o orçamento doméstico dos seus colaboradores.

Impacto direto na produtividade e nas perdas do negócio

Os números sobre os efeitos práticos no ambiente corporativo merecem atenção especial. Pesquisa da SalaryFits, do grupo Serasa Experian, mostra que 66% dos trabalhadores relatam mais estresse por causa de dívidas, 47% sentem exaustão física e 33% percebem queda na própria produtividade. Já um levantamento da CNDL/SPC Brasil indica que 61% dos inadimplentes reconhecem que o endividamento prejudica o desempenho profissional, e 80% relatam impactos na saúde física ou mental.

IndicadorResultado
Brasileiros negativados (2026)83,5 milhões
Crédito concedido por fintechs em 2025R$ 53,8 bilhões (alta de 51%)
Participação do consignado na carteira das fintechs47% (antes: 40%)
Trabalhadores que relatam mais estresse por dívidas66%
Inadimplentes que percebem queda no desempenho61%
Perdas operacionais e furtos no varejo em 2025R$ 42,1 bilhões

Esses efeitos não ficam restritos ao clima interno. Um levantamento da Abrappe em parceria com a KPMG apontou que o varejo brasileiro registrou R$ 42,1 bilhões em perdas operacionais e furtos em 2025, sendo que furtos internos representam entre 8% e 10% desse total. Os estudos citam a pressão financeira como um dos fatores observados nas análises sobre prevenção de perdas, algo que reforça por que esse tema deixou de ser apenas uma questão pessoal do funcionário e passou a interessar diretamente à gestão de riscos da empresa.

Como se preparar

Diante desse cenário, faz sentido que você, como gestor, comece a tratar a saúde financeira da equipe como parte da estratégia de gestão de pessoas, e não como um assunto exclusivamente privado dos colaboradores. Isso pode incluir desde revisar como os descontos em folha são comunicados e organizados, até acompanhar de perto indicadores de absenteísmo e produtividade que possam sinalizar dificuldades financeiras crescentes no time. Também é importante ficar atento à forma como benefícios como o Crédito do Trabalhador são oferecidos e comunicados internamente, já que se trata de uma ferramenta que pode ajudar o funcionário, mas que precisa ser usada com equilíbrio para não se somar a um quadro já pesado de comprometimento de renda. Conversar com seu contador sobre a estrutura da folha de pagamento e os descontos aplicados é um bom ponto de partida para entender onde estão as margens de melhoria e como apoiar melhor sua equipe sem comprometer a saúde financeira do negócio.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.