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Americanas vende imóveis no Rio para reforçar caixa: entenda o negócio

17/09/2026 12:064 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A Americanas deu mais um passo para transformar patrimônio imobiliário em dinheiro vivo. A empresa está vendendo três imóveis no Rio de Janeiro, localizados nos bairros de Laranjeiras, Tijuca e Freguesia do Engenho Velho, como parte do processo de recuperação judicial em curso. Duas propostas já foram apresentadas e somam R$ 129,9 milhões, valor que passa a ser tratado como piso para a negociação.

Se você administra um negócio, esse caso é um exemplo prático de como empresas em recuperação judicial usam a venda de ativos para gerar caixa e cumprir compromissos com credores. Entender essa lógica ajuda a interpretar movimentos parecidos em outras companhias, além de mostrar como funcionam processos de venda com regras específicas de proteção a quem faz a primeira oferta.

O que está sendo vendido e por quanto

A Supermundi ofereceu R$ 95 milhões pelo imóvel de Laranjeiras. Já o fundo imobiliário Antilhas, um fundo fechado, propôs R$ 34,92 milhões pelos imóveis da Tijuca e da Freguesia do Engenho Velho. Juntas, as duas propostas totalizam R$ 129,9 milhões, mas esse número pode aumentar, já que os imóveis ainda passarão por processos competitivos, nos quais outros interessados podem apresentar ofertas melhores.

Ambos os grupos entraram no negócio na condição de stalking horse, termo usado quando um comprador faz a primeira oferta e essa proposta serve de preço mínimo para os demais concorrentes. Isso significa que ninguém pode oferecer menos do que já foi proposto pela Supermundi e pelo Fundo Antilhas. Em troca dessa função, os dois grupos ganham o chamado right to top: se aparecer uma oferta melhor de outro concorrente, eles têm o direito de cobrir esse valor e ficar com o imóvel, desde que apresentem uma proposta pelo menos 1% maior que a melhor oferta concorrente.

Prazos e próximos passos

A audiência em que as propostas fechadas serão apresentadas está marcada para 22 de outubro de 2026, às 14h. Os editais que formalizam essa venda foram publicados no dia 9 de setembro de 2026, no Diário de Justiça Eletrônico Nacional, e fazem parte do plano de recuperação judicial da Americanas. Quem quiser consultar os detalhes pode acessar os anexos no site de Relações com Investidores da empresa ou no sistema Empresas.NET da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A venda de imóveis em números
R$ 129,9 milhõesvalor mínimo já propostosoma das ofertas da Supermundi e do Fundo Antilhas pelos três imóveis.
R$ 346 a 468 milhõesestimativa do portfólio totalquanto a Americanas espera arrecadar com a venda de todos os imóveis autorizados.
65%destinação aos credorespercentual do valor líquido acima de R$ 200 milhões que vai para amortizar dívidas com debenturistas.

Segundo o comunicado da empresa, os recursos obtidos com essas vendas vão reforçar o caixa da companhia e ajudar a financiar o plano de transformação e crescimento que está em andamento. Esse movimento não é isolado: em fevereiro deste ano, os credores da Americanas já haviam autorizado a venda de parte do patrimônio imobiliário da empresa, com a expectativa de gerar entre R$ 346 milhões e R$ 468 milhões no total.

Existe ainda um compromisso formal da empresa com os debenturistas: 65% do valor líquido que exceder R$ 200 milhões nessas vendas será usado para amortizar ou resgatar antecipadamente as debêntures. Ou seja, parte relevante do dinheiro arrecadado tem destino certo, o que dá mais previsibilidade aos credores sobre como a companhia pretende honrar suas obrigações.

Vale lembrar o contexto mais amplo: em março deste ano, a Americanas pediu formalmente para sair da recuperação judicial, cerca de dois anos e meio depois de ter seu plano homologado. O pedido foi feito à 4ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro, mas a empresa ainda aguarda a decisão final da Justiça. Enquanto isso não acontece, movimentos como a venda desses imóveis continuam fazendo parte da rotina de gestão financeira da companhia.

Para empresários e gestores, o episódio serve como referência de como processos de recuperação judicial funcionam na prática: venda de ativos, regras claras para atrair compradores, prazos definidos e compromissos formais com credores. Se você lida com negociações parecidas, seja como credor, investidor ou parte interessada em ativos de empresas em reestruturação, entender esses mecanismos ajuda a avaliar riscos e oportunidades com mais segurança.

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