Aluguel de escritórios no Rio sobe: Zona Sul lidera preços e demanda
19/10/2026 16:484 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se a sua empresa está de olho em um escritório de alto padrão no Rio de Janeiro, prepare-se para pagar mais caro, especialmente se a escolha recair sobre a Zona Sul. Um levantamento da consultoria imobiliária Newmark mostra que o preço médio de locação na região chega a R$ 349 por metro quadrado ao mês, cerca de quatro vezes a média da cidade. O dado reforça um movimento mais amplo: o mercado corporativo carioca está aquecido, com preços subindo e espaço disponível cada vez mais escasso nas áreas mais procuradas.
O que está acontecendo com os preços
No terceiro trimestre de 2026, o preço médio de locação dos escritórios de alto padrão (classes AAA, AA e A) no Rio subiu 4,3% em relação ao trimestre anterior, chegando a R$ 83,43 por metro quadrado ao mês. Foi a maior alta do ano. Em 12 meses, o aumento acumulado é de 7,6%, e desde o pior momento da série histórica, em 2023, o preço médio já valorizou 13%. Para quem está negociando um contrato de locação agora, isso significa menos margem de negociação do que havia há poucos trimestres.
A procura por espaços também cresceu. A absorção líquida, ou seja, a diferença entre espaços ocupados e desocupados, somou 17 mil metros quadrados entre julho e setembro, um pouco acima dos 15 mil metros quadrados do trimestre anterior. No acumulado do ano, já são 53 mil metros quadrados, volume que representa cerca de 90% de toda a absorção registrada em 2025. O setor público e instituições de pesquisa e serviços são os principais responsáveis por essa movimentação, com destaque para ocupações do Coren-RJ, da Vale, do Governo do Estado e do Cepel em diferentes edifícios da cidade.
Onde a disputa por espaço é maior
A taxa de vacância da cidade como um todo ficou estável em 23,5%, mesmo com a entrada de 18 mil metros quadrados de novo estoque, ligado a obras de retrofit. Esse é o menor nível de vacância desde 2014, com queda de 2,3 pontos percentuais nos últimos 12 meses. Mas a situação varia muito conforme a região, e é aí que está o alerta para quem planeja se instalar ou expandir no Rio.
Regiões com demanda aquecida
- Botafogo: vacância de 4,4%, a menor da cidade
- Flamengo/Glória: vacância de 10%
- Zona Sul: vacância subiu de 5,5% para 11,3% no trimestre, após entrega de prédio em retrofit
Regiões com mais espaço disponível
- Barra da Tijuca: vacância de 15,4%
- Centro: vacância de 26,9%
- Porto Maravilha: vacância de 27,4%
- Cidade Nova: vacância de 39,1%, mas com a maior queda do período (1,7 p.p.)
Botafogo, Flamengo/Glória e a Zona Sul são consideradas pela Newmark como áreas de demanda aquecida, com pouco espaço sobrando. Já Barra da Tijuca, Centro, Porto Maravilha e Cidade Nova ainda têm um volume maior de imóveis vazios, embora a Cidade Nova tenha mostrado sinais de melhora, com queda na vacância puxada por movimentações de empresas como SAMM e Vale. Vale destacar que o próprio Centro do Rio respondeu sozinho por 62% de toda a absorção líquida da cidade no trimestre, impulsionado pela ocupação do edifício Bolsa do Rio.
O que vem pela frente
Para empresas que pensam em se mudar ou expandir nos próximos anos, vale ficar de olho no que está sendo construído. O pipeline de novos escritórios de alto padrão no Rio soma 131 mil metros quadrados em obras e outros 400 mil metros quadrados ainda em fase de projeto, sem data definida para começar a ser construídos. Entre os empreendimentos em andamento estão o Rythme Leblon, na Zona Sul, com entrega prevista para 2026, o Garcia 111, também na Zona Sul, e o retrofit da antiga sede do Banco Boa Vista, no Centro, com entrega esperada para 2028.
Nem tudo, porém, está avançando. Projetos como a nova sede do Banco Central, o retrofit da Rua do Livramento no Porto Maravilha e as obras do The City Business, na Barra da Tijuca, estão paralisados e sem previsão de entrega. Isso significa que a oferta de espaços novos e modernos deve continuar concentrada, no curto prazo, nas regiões que já estão com os preços mais altos, principalmente a Zona Sul.
Na prática, se a sua empresa busca um endereço corporativo de padrão elevado no Rio de Janeiro, o momento pede planejamento financeiro mais apertado e avaliação cuidadosa de onde fechar contrato. Regiões como Centro, Porto Maravilha e Cidade Nova ainda oferecem mais opções e possivelmente melhores condições de negociação, enquanto a Zona Sul segue como a aposta mais cara, mas também a mais disputada por empresas que valorizam localização e modernidade.
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