Algodão brasileiro: por que o setor mira expansão e o que isso significa
23/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 8 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O Brasil já é o maior exportador mundial de algodão, mas o setor está de olho no próximo passo: produzir mais, agregar valor dentro do país e abrir ainda mais mercados lá fora. Foi esse o tom da abertura do 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em Belo Horizonte (MG), que reuniu produtores, indústria, pesquisadores e representantes do governo até o dia 24 de setembro. Para quem trabalha direta ou indiretamente com a cadeia do algodão (do produtor rural ao empresário da indústria têxtil), os sinais dados no evento indicam para onde o setor deve caminhar nos próximos anos.
O que mostram os números da safra
A safra 2025/26 trouxe um resultado que chama atenção: mesmo com área plantada menor, a produção bateu recorde histórico, graças ao ganho de produtividade no campo. Foram 2 milhões de hectares cultivados e 4,1 milhões de toneladas de algodão em pluma produzidas, um aumento de 1,5% em relação ao ciclo anterior. As exportações também tiveram peso relevante: 3,1 milhões de toneladas foram vendidas ao exterior em 2025, o equivalente a quase três quartos de toda a safra, gerando uma receita de US$ 5,2 bilhões.
Para o presidente da Abrapa (associação que representa os produtores de algodão), Gustavo Viganó Piccoli, esse desempenho mostra que a cadeia consegue manter a produtividade mesmo em um cenário internacional turbulento, marcado por conflitos geopolíticos e instabilidade nos preços de insumos. A expectativa da entidade é de que a área plantada cresça entre 8% e 10% na próxima safra, desde que o clima colabore.
Indústria têxtil nacional é aposta estratégica
Um dos pontos mais relevantes discutidos no Congresso foi a necessidade de fortalecer a indústria têxtil brasileira. Hoje, cerca de 700 mil toneladas da produção nacional de algodão são processadas dentro do país. A meta da Abrapa, construída em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), é elevar esse volume para pelo menos 1 milhão de toneladas. Na prática, isso significa transformar mais algodão em tecido e produto final aqui mesmo, o que gera emprego, renda e mais valor agregado dentro do Brasil, em vez de simplesmente exportar a matéria-prima.
Piccoli também chamou atenção para um ponto sensível: segundo ele, há um movimento contrário à industrialização do país que preocupa o setor, já que o Brasil teria muito a ganhar investindo mais na cadeia têxtil nacional. Essa discussão importa para empresários de diferentes elos da cadeia, já que reforça a defesa de políticas que aumentem a competitividade da indústria nacional diante da concorrência de produtos importados.
O que o governo promete para o setor
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou durante a abertura do evento que a competitividade do agronegócio depende tanto da eficiência dentro das fazendas quanto da atuação do governo em áreas como infraestrutura, crédito e abertura de mercados. Segundo ele, o país está próximo de ultrapassar a marca de 700 novos mercados internacionais abertos desde o início da atual gestão, resultado que ele credita ao trabalho diplomático e ao reconhecimento da qualidade sanitária dos produtos brasileiros.
Entre as medidas citadas pelo ministro está o Programa Nacional de Fertilizantes (Profert), que busca reduzir a dependência do Brasil em relação a fertilizantes importados, retomando fábricas nacionais de nitrogenados. Ele também mencionou um acordo com o Marrocos para garantir o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados e a priorização de navios com fertilizantes nos portos brasileiros. Outras frentes citadas incluem investimentos em previsão climática, modernização de estações meteorológicas e o acompanhamento diário da execução do Plano Safra, além da expectativa pela sanção do Projeto de Lei do Seguro Rural, visto pelo setor como instrumento importante para dar mais previsibilidade ao produtor.
Para quem tem negócio ligado ao agronegócio, seja na produção, na indústria ou em serviços que atendem essa cadeia, os sinais dados no Congresso reforçam uma tendência: o mercado internacional não pergunta mais só quanto o Brasil produz, mas como produz. Investir em rastreabilidade, certificação e diferenciais de sustentabilidade deixou de ser opcional e passa a ser parte da estratégia de quem quer se manter competitivo tanto no mercado interno quanto na exportação.
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