“Temos Grandes Ambições”: Figma Abre Primeiro Escritório da América Latina em São Paulo

Se a sua empresa usa ferramentas de design digital ou trabalha com times de produto e tecnologia, uma novidade recente merece atenção: o Figma, uma das plataformas mais usadas no mundo para criação colaborativa de interfaces de aplicativos e sites, decidiu abrir seu primeiro escritório na América Latina, em São Paulo. Junto com essa estrutura física, a empresa passa a oferecer hospedagem local de dados no Brasil, um detalhe que parece técnico, mas tem efeito direto sobre como negócios brasileiros lidam com segurança da informação e conformidade regulatória.
O Figma existe desde 2012 e ganhou espaço por permitir que várias pessoas editem o mesmo projeto ao mesmo tempo, direto no navegador. Hoje a ferramenta está presente em boa parte das grandes empresas de tecnologia do mundo e chegou a ser alvo de uma tentativa de compra pela Adobe, por US$ 20 bilhões, negócio que não avançou por resistência de reguladores. Depois de abrir capital na Bolsa de Nova York em 2025, a empresa segue em expansão internacional acelerada, e o Brasil aparece como peça importante dessa estratégia.
O que muda na prática
O ponto mais relevante para quem gerencia uma empresa no Brasil é a hospedagem local de dados. Até agora, empresas que usavam o Figma armazenavam suas informações em servidores fora do país. Com a nova estrutura, é possível manter os dados dos arquivos de design dentro do Brasil, sem perder os recursos da plataforma. Isso facilita, na prática, o cumprimento de exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), algo especialmente sensível para setores regulados, como bancos, fintechs e instituições financeiras, que precisam seguir regras mais rígidas de segurança da informação.
Além disso, ter os dados processados mais perto tende a melhorar a velocidade de resposta do sistema, o que ganha importância à medida que mais empresas incorporam inteligência artificial aos seus processos de criação de produtos digitais. Para um gestor, isso significa menos travas técnicas e menos risco de descumprir obrigações legais por causa de onde a informação da empresa fica armazenada.
Quem já usa e quem pode ser afetado
A base de clientes da plataforma no Brasil já era relevante antes mesmo da abertura do escritório. Segundo a empresa, metade das companhias listadas no Ibovespa desenvolve produtos usando o Figma, e nomes como iFood, Itaú Unibanco, Mercado Livre, Nubank, Sicredi e BTG Pactual estão entre os clientes. Isso mostra que a ferramenta já está enraizada em setores estratégicos da economia brasileira, do financeiro ao varejo digital.
Para pequenas e médias empresas que trabalham com times de design, produto ou tecnologia, mesmo sem ter porte de instituição financeira, a chegada de um escritório local também sinaliza suporte mais próximo, possíveis novas contratações no país e maior atenção às necessidades do mercado brasileiro, incluindo a localização completa do produto em português, já disponível desde 2025.
Como se preparar
Se a sua empresa já utiliza o Figma ou está avaliando adotar ferramentas de design colaborativo, vale conferir com a área de tecnologia ou com o fornecedor se a opção de hospedagem local de dados já está disponível para o seu contrato, e se ela ajuda a fechar lacunas de conformidade com a LGPD que ainda existam na operação. Empresas de setores regulados, em especial, devem revisar como armazenam e processam dados de projetos e produtos digitais, já que esse tipo de decisão pode facilitar auditorias e reduzir riscos jurídicos.
De forma mais ampla, o movimento reforça uma tendência que já vinha se consolidando: fornecedores internacionais de tecnologia estão dando mais atenção ao Brasil, tanto pelo tamanho do mercado quanto pela velocidade com que empresas brasileiras adotam inovação e inteligência artificial nos processos de criação de produtos. Para o empresário, acompanhar esse tipo de movimento ajuda a entender onde estão as oportunidades de eficiência operacional e também os cuidados necessários com proteção de dados, um tema que só tende a ganhar peso nos próximos anos.
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