Novartis Tem Lucro Acima do Esperado no 2º Trimestre e Mantém Projeções para 2026

A farmacêutica suíça Novartis divulgou resultados do segundo trimestre acima do que o mercado esperava, mesmo enfrentando um dos momentos mais delicados de sua história recente: a perda de exclusividade de patente do Entresto, remédio para o coração que responde por cerca de 10% de todas as vendas da empresa. O lucro operacional básico do trimestre chegou a US$ 5,94 bilhões, valor bem acima da previsão de analistas, que giravam em torno de US$ 5,31 bilhões. A reação do mercado foi imediata: as ações da companhia subiram 3% após o anúncio.
O caso chama atenção porque mistura duas realidades opostas dentro da mesma empresa. De um lado, uma queda de receita forte e concreta em um dos principais produtos do portfólio. De outro, uma gestão de custos tão eficiente que conseguiu compensar boa parte do impacto e ainda surpreender positivamente o mercado. Para você que administra um negócio, essa combinação é um lembrete valioso: resultado financeiro bom não depende só de vender mais, depende também de saber onde cortar e quando.
O que aconteceu com o principal produto da empresa
O Entresto perdeu a proteção de patente nos Estados Unidos, seu maior mercado, e passou a sofrer concorrência direta de versões genéricas. O resultado foi uma queda de 50% nas vendas do medicamento no trimestre, para US$ 1,18 bilhão, um número pior do que o esperado pelos analistas. No primeiro trimestre do ano, a queda já havia sido de 42%. A expectativa da própria Novartis é de que as vendas do produto caiam US$ 4 bilhões ao longo de 2026 inteiro. A partir de novembro, o remédio também perde a exclusividade na Europa, mas a empresa acredita que o impacto por lá será menos severo do que foi nos Estados Unidos.
Esse tipo de situação, perder de forma abrupta a exclusividade sobre um produto ou serviço, não é exclusividade do setor farmacêutico. Empresas de qualquer tamanho podem passar por algo parecido quando um concorrente lança uma alternativa mais barata, quando um contrato exclusivo termina ou quando a tecnologia muda o jogo. O ponto de atenção aqui é: dá para se planejar para isso. A Novartis já sabia da data de vencimento da patente e vinha se preparando havia tempo, o que ajuda a explicar por que conseguiu absorver o golpe sem descontrolar o caixa.
Como a empresa segurou o resultado
A explicação para o lucro surpreender positivamente está, em grande parte, no controle de despesas. As despesas operacionais da companhia caíram 6%, para US$ 3,24 bilhões, puxadas por ganhos de produtividade. Segundo analistas do Barclays, esse aperto nas despesas foi o principal responsável pelo desempenho acima do esperado no trimestre. Um analista da Verso Investment Management, que é acionista da empresa, também destacou que os gastos com pesquisa e desenvolvimento ficaram abaixo do previsto.
Aqui está uma lição prática direta para o seu negócio: quando uma receita importante está sob ameaça, revisar despesas fixas e variáveis com lupa pode ser a diferença entre fechar o período no vermelho ou seguir lucrativo. Não se trata de cortar por cortar, mas de identificar onde existe gordura, onde dá para ganhar eficiência sem comprometer a operação, e usar esse fôlego para atravessar um momento de queda de faturamento sem desespero.
O que vem pela frente
Apesar do resultado positivo, a própria empresa e os analistas que acompanham o caso já sinalizam que o controle apertado de custos não deve se repetir da mesma forma nos próximos trimestres. Isso porque a Novartis está no meio da absorção de uma aquisição bilionária, a compra da Avidity Biosciences por US$ 12 bilhões, além de estar lançando novos medicamentos, dois movimentos que naturalmente exigem mais investimento. Mesmo assim, a empresa manteve suas projeções para 2026 sem alterações: espera crescimento de vendas na casa de um dígito baixo e uma leve queda no lucro operacional principal, sempre desconsiderando efeitos de câmbio.
Manter a projeção divulgada anteriormente, mesmo sabendo que gastos maiores estão a caminho, é um sinal de confiança da gestão de que o planejamento em curso é sólido o suficiente para absorver tanto a queda de um produto quanto o custo de uma aquisição estratégica. Para quem gerencia uma empresa, fica o exemplo de que metas e projeções não devem ser tratadas como números soltos, mas como parte de um plano que já contempla os altos e baixos esperados ao longo do caminho, inclusive perdas de receita já mapeadas com antecedência.
Se você lidera um negócio que também depende de um produto, contrato ou vantagem competitiva com prazo de validade conhecido, vale a pena antecipar o planejamento financeiro para esse momento. Revisar a estrutura de custos antes que a queda de receita chegue, e não depois, é o que separa empresas que atravessam essas transições com equilíbrio das que são pegas de surpresa.
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